quinta-feira, 10 de julho de 2014

PRATICANDO O DESAPEGO E ENCONTRANDO O FLUXO

Há alguns anos, durante o Mestrado, fui apresentada ao livro "Finding Flow", do tcheco Mihaly Csikszentmihalyi, com uma tese que me coube como uma luva, revoltada que estrava após uma série de assaltos e perdas materiais.

Ele dizia, basicamente, que extraímos mais felicidade de coisas que podem ser fruidas (o tal "fluxo"), do que de bens físicos. É isso que contribui para uma vida que vale a pena viver. Experiências, e não matéria. Admirar uma paisagem, preparar ou degustar uma boa comida, desenvolver alguma atividade artística, viajar, conversar, dançar, ler, praticar o ócio puro e simples. São coisas que nos colocam mais leves, em estado de fluxo.

Atualmente, temos visto a expressão "desapegar" entrar na moda. E é fato, procure trazer essa prática para sua vida. Essa era minha meta nr 37, que foi plenamente alcançada. 

Eu já tinha uma filosofia, baseada no I-Ching para manter o chi (energia vital) da casa fluindo: se entrar um ítem, outro do mesmo tipo tem que sair.  

Comecei timidamente com o tal "Bazar de Trocas das Luluzinhas", reunião entre amigas onde fazíamos uma limpeza geral no nosso guarda-roupa, tudo vendido a preços módicos e a receita revertida para um orfanato. Cada vez mais ítens, mais Luluzinhas, mais arrecadação para as crianças. Um sucesso ! 

Antes de me mudar para SP, resolvi me desapegar de absolutamente tudo que não usava há mais de 2 anos ou que gostava mais ou menos. Coisas que já não faziam mais parte do meu estilo de vida, esperando por grandes festas, amigos sofisticados, casas grandiosas, fotos em colunas sociais. 

Essa foi minha vida durante anos, e comecei cedo aos 21, trabalhando na glamurosa hotelaria, apertando a mão de celebridades e realeza, saindo em revistas e jornais, frequentando festas chiques e morando numa casa de três andares com piscina e caseiro. 



Foi tudo embora num intenso Garage Sale: louças, cristais, móveis, adereços de decoração. A mesa de costura da vovó, o paneleiro com coleção de cobres, o quadro pintado pelo tio, móveis de varanda indonésios, livros, panelas, tábuas de queijo, aparelho de fazer waffle (jamais usado !!!!), fizeram a felicidade das amigas, que renovaram suas casas, seus ânimos, suas histórias por meio da minha. Me deu uma alegria imensa receber foto no Face do primeiro waffle que a Pollyana fez para sua família, ou SMS de como a filha da Patricia Maranhão estava curtindo aquela máquina de costura antiga. Como o paneleiro ficou lindo na casa da irmã mineira de Piracema da Simone Lara. 

Cheguei em SP mais leve, mais parecida comigo mesma, mais consciente de que eu quero é amigos sofisticados por dentro e que nada de material que deixei para trás está me fazendo falta. 

E se você quer saber mais sobre o FLUXO, assista o filme do Mihaly ! 

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